Leitura obrigatória

Se você está pensando em fazer cinema não pode deixar de ler Fazendo Filmes de Sidney Lumet e Sobre Direção de Cinema de David Mamet, e tem que ser nessa ordem, um depois do outro. Primeiro você vai se encher de coragem e correr para escrever um roteiro. Vai pensar que a vida de cineasta tem seus problemas, mas é um mundo maravilhoso e um trabalho excelente. Isso tudo é verdade.

Quem já teve a oportunidade de dirigir um filme ou um vídeo sabe como é ótimo gritar: “Ação! Corta!” e ver as páginas do roteiro se transformando como mágica em imagens. Sidney Lumet sabe que antes da mágica vem trabalho duro e também muitas, mas muitas concessões.

Ao escrever Fazendo Filmes, o diretor nos mostra um retrato inteligente e honesto dos bastidores de seus filmes. Sim, Lumet prefere falar sobre seus filmes: “Certa vez perguntei a Akira Kurosawa por que decidira fazer uma tomada em Ran de determinada maneira. A resposta foi que se tivesse colocado a câmera uma polegada para a esquerda, a fábrica da Sony apareceria na tomada, e se colocasse a câmera uma polegada para a direita veríamos o aeroporto – nenhuma das duas paisagens cabia num filme de época. Somente a pessoa que fez o filme sabe o que pesa nas decisões que resultam em qualquer obra concluída. Pode ser qualquer coisa, de exigências de orçamento à inspiração divina.”

Lumet fazendo o que mais gosta

Essa honestidade aparece em todas as páginas “Não existe maneira certa ou errada de dirigir um filme. O meu objetivo é contar como eu trabalho”. Sidney Lumet conta a experiência da primeira leitura do roteiro, a paciência para agüentar os agentes e maquiadores das estrelas, o abuso dos produtores de estúdio e a angústia do lançamento. Mesmo com todas essas dificuldades, no fim do livro você vai se sentir cheio de energia para entrar no set de filmagem. Essa é a hora do estágio dois.

Se depois de ler Sobre Direção de Cinema você ainda quiser sair correndo para filmar … o problema é seu. Não que David Mamet desanime diretamente o leitor, mas deixa claro que para ser diretor de cinema – mesmo um mal diretor – é preciso dominar muita a técnica cinematográfica, e conhecer o que diferencia o cinema das outras artes. O cinema possui uma característica que o distingue do teatro, pintura, poesia e tantas outras formas de arte: o corte. A montagem é o diferencial do cinema, o controle do tempo e do espaço só pode ser encontrado nas telas.

Quando você coloca um personagem descendo do 10o andar até o térreo de elevador não usa o tempo que ele faria normalmente e sim o tempo cinematográfico. O tempo de duração da cena que pode ser de vinte segundos, um minuto ou até cinco minutos, vai depender da necessidade dramática do filme, e do que o diretor quer passar com ela.

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David Mamet

Esse domínio do corte e do tempo foi esquecido com o advento do som. O cinema sonoro diz, fala, deixou de fazer. É justamente esse resgate da característica básica do cinema que Mamet cobra dos novos e velhos diretores. Mostrar e conduzir o público com imagens é mais difícil do que simplesmente falar para ele. Fazer o ator falar: “Estou com dor de cabeça.” É fácil. Mostrar isso sem falas e de forma convincente é o desafio. Para quem acha isso impossível é só assistir aos filmes mudos e principalmente a obra de Charles Chaplin que odiava usar as caixas de diálogo.

Se você quer realmente fazer cinema: Não desanime! Só é preciso mais do que talento para transformar palavras em imagem.

Doze homens e uma sentença de Sidney Lumet

Doze homens e uma sentença de Sidney Lumet

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