Fragmentos de um cineasta

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Diferente da maioria dos grandes diretores de cinema de seu tempo, Roberto Rossellini procurou não somente contar histórias, mas também ajudar os homens a se conhecerem. E podemos conhecer mais sobre Rossellini em Fragmentos de uma Autobiografia. Roberto morreu em 1977 e deixou o texto inacabado. Mas isso não significa incompleto.

Rossellini não procura apenas contar um pedaço de sua vida ou falar sobre seus filmes: “Este livro é um ato deliberadamente político, pois denuncia o espetáculo: quero dizer, a insignificante ficção a que se encontra reduzida a expressão audiovisual em nossa sociedade, bem como o contágio de que esta foi vítima e que a transformou em uma sociedade de espetáculo.”

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Roberto Rossellini nasceu na Itália onde crescia o ideal fascista. A Itália do Império Romano e de tantas guerras, mas também a mesma Itália que se recusa a crescer e a se americanizar. Quando os americanos desembarcaram em Roma não esperavam encontrar uma sociedade tão diferente da sua. Existe a história do italiano e do soldado americano. O italiano estava deitado repousando ao sol e o soldado não resistiu: “O que você está fazendo?” “Nada.” – foi a resposta. “E você não se envergonha?” – continuou o americano. “Não. De quê?”, perguntou o italiano. “Se você trabalhasse, poderia ter um salário. Poderia construir uma família, ter filhos. Seus filhos iriam à escola; cresceriam; você compraria uma pequena casa no campo e, depois dos filhos casados, poderia aposentar-se. E aí você descansaria.” – finalizou o profético soldado americano. O italiano bocejou, fitou o yankee nos olhos e disparou: “Ora, é exatamente o que estou tentando fazer.

Da Itália, Rossellini nos leva até a França de Jean Renoir, Jean Cocteau, Pagnol, e lamenta a americanização da França. Mas não passa impune. “Com que direito esse italiano nos julga?” Rossellini sempre foi o alvo de duras críticas e também responsável por fazer duras críticas.

Bergman e Rossellini na Itália

Bergman e Rossellini na Itália

O sucesso de Roma, cidade aberta e depois Paisà não foi capaz de dobrar o pensamento do diretor. Foi procurado pelos grandes estúdios de Hollywood, passando por David Selznick, Samuel Goldwyn, Daniel Zanuck e até Howard Hughes. Resistiu a todas as propostas e se tornou a ovelha negra entre os cineastas.

O casamento dentro e fora das telas com a maior estrela de Hollywood fez com que fosse odiado nos Estados Unidos. “Ele destruiu a carreira dela!”, era o comentário mais simpático que o casal recebia. Ingrid Bergman se apaixonou pelo cineasta Rossellini e pelo homem Roberto, o casamento trouxe três filhos.

Roberto Rossellini sempre esteve à margem, destacado e resumi sua história numa frase: “A solidão é meu território”.

Roberto e a pequena Isabela

Roberto e a pequena Isabela

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