Woody Allen por Eric Lax

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Quando você estiver em uma livraria e se deparar com a capa branca do livro de Eric Lax sobre o diretor, ator e escritor Woody Allen pense seriamente em pegar o livro e ir direto ao caixa. Allen está longe de ser uma unanimidade. Alguns amam seus filmes e outros não suportam. Para as duas correntes ler a biografia de Allen permitirá um olhar diferente da obra e do homem.

Allan Stewart Konigsberg nasceu no Bronx, no primeiro dia de dezembro de 1935, já Woody Allen nasceu no Brooklyn em 1952. O jovem e tímido Allan decidiu se tornar escritor de comédias e enviou tiras de piadas para alguns jornais novaiorquinos, mas como não queria que seus colegas de turma descobrissem mudou seu nome para Woody Allen.

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Aos 17 anos, Woody era considerado um gênio precoce e sua vida foi marcada pelas mudanças bruscas. No início, a luta foi para vencer como escritor de piadas para as colunas dos jornais, depois passou a escrever para alguns programas de televisão. Logo que conseguia um aparente sucesso na profissão atual já pulava para outra área.

Com dezoito anos ganhava 40 dólares, por semana, como escritor de piadas. Quando foi contratado pela rede de televisão NBC para ser redator de alguns programas abocanhou 169 dólares semanais. Sete anos depois, em 1960, Woody Allen era tão requisitado que ganhava 1700 dólares por semana de trabalho.

Apesar da escalada de sucesso, Allen já estava planejando deixar a TV para iniciar outra fase de sua vida. Começou a atuar como comediante stand up ainda em 60. O início não foi nada promissor: ficou meses sem ganhar um centavo, fez apresentações para dez pessoas em pequenos clubes e muitas noites não ouviu nenhuma risada. Doze anos depois estava no Caesars Palace de Las Vegas com um cachê de 85 mil dólares por duas semanas. Aliás, essas seriam as últimas apresentações como comediante stand up, daquele ano para frente se ocuparia unicamente com o cinema.

Um dos seus primeiros filmes, “Tudo que você sempre quis saber sobre sexo e tinha medo de perguntar”, feito no mesmo ano, rendeu a Allen quase dois milhões de dólares. Mas o dinheiro não teve nenhuma influência na decisão de Woody em largar a vida de comediante.

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Allen deu o primeiro passo no cinema como roteirista e recebeu 35 mil dólares pelo trabalho. No filme “O que é que há, gatinha?”, estrelado por Warren Beatty, Woody também conseguiu um papel. Aos vinte e oito anos Woody Allen estreava em Holywoody como ator e assinando seu primeiro roteiro.

Considerado único entre os diretores norte-americanos, Allen recebe dos estúdios regalias só comparadas com as concedidas a Orson Welles e em menor escala a Steven Spielberg. Seu nome e eficiência permitem que acerte o orçamento sem precisar submeter o roteiro a nenhuma aprovação.

Mesmo com grandes sucessos como “A Rosa Púrpura do Cairo”, “Manhattan”, “Crimes e Pecados”, “Noivo neurótico, noiva nervosa” e “Hannah e suas irmãs”, Woody Allen sempre está insatisfeito com seus filmes “Ainda bem que o público só vê o produto final.” Allen gostaria de atingir o nível de grandes mestres como Jean Renoir, Ingmar Bergman ou Akira Kurosawa. Sem pestanejar dispara “Acho que fiz alguns filmes decentes e muitos outros divertidos, mas nunca fiz um grande filme. Um grande filme para mim é A Grande Ilusão, Cidadão Kane, Ladrão de Bicicletas ou Quando as mulheres pecam.

Talvez isso ajude a explicar ao público as constantes mudanças de rumo nos seus projetos. Desde o início sua carreira é mutante. De escritor de comédias para redator de TV, depois para escritor teatral e comediante stand up e por fim, diretor, roteirista e ator de cinema. Allen deixa claro que quer fazer cinema e não comédias.

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Grande parte do público e da crítica espera que Woody volte a temas que fizeram sucesso nas suas primeiras comédias. O que mais irrita Allen é ser um artista acomodado e preso a fórmulas que fizeram sucesso, “A visão do público nunca é tão profunda quanto a visão do artista. O público está sempre querendo decidir pelo mais fácil.

O livro lançado em 1991 acompanhou as filmagens e a montagem de “Simplesmente Alice” que foi bem recebido pelo público e pela crítica. Depois, o diretor fez mais 20 filmes e sempre alternando entre comédias e dramas. Allen parece perseguir o objetivo de sua vida:

Terei ocasião de fazer um ou dois filmes que serão considerados grandes sobre qualquer aspecto (…). Qualquer artista – Fellini, Bergman – encontra-se na mesma situação. Fizeram um grande número de filmes. Nem sempre fazem Amacord ou Gritos e sussurros. (…) Contudo, o conjunto de suas obras é elevado por essas pequenas estrelas brilhantes. O que falta no conjunto de meus filmes são esses pequenos brilhos de luz. Talvez agora, que passei dos cinqüenta anos, esteja mais confiante, e possa produzir algo que seja verdadeiramente literário.

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Woody Allen

Eric Lax

Companhia das Letras


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9 Respostas to “Woody Allen por Eric Lax”

  1. samdrade Says:

    eu acho woody allen muito intenso. gosto bastante! .D

    • christianjafas Says:

      O livro é muito bom. A primeira edição nacional, acho que de 2001, esgotou. Eles relançaram esse ano uma edição atualizada.

      Achei que seria bom dar essa dica.

      Um abraço,

      Jafas

  2. Rogério Says:

    Christian,
    Obrigado pela visita. Um espetáculo teu blog. Continua o excelente trabalho. Vou buscar as tuas recomendações de leitura, especialmente aquela sobre Citizen Kane. Um abraço, Rogério

    • christianjafas Says:

      Valeu Rogério,

      estou postando agora esses textos sobre livros pra dar uma “aquecida”. Já, já eu começo a postar sobre filmes.

      um abraço,

      Christian

  3. Bruno Pongas Says:

    Muito legal o seu blog e sua linha editorial, cara. Vou favoritar lá no meu! Me favorita aqui depois tbm :]

    Abs
    Bruno Batista (www.moviefordummies.wordpress.com)

    • christianjafas Says:

      Beleza Bruno?

      Eu tinha esse blog em outro endereço, no Weblogger, escrevi lá de 2002 até 2006, direto, postava quase todo dia. Ele chegou até a ser famosinho na rede.

      Depois eu não consegui manter, esfriou e ele acabou sumindo junto com o Weblogger. E agora esse ano resolvi voltar.

      Obrigado pelos elogios. Isso mostra que é preciso escrever. Sempre.

      Vou lá no seu blog.

      Um abraço,

      Christian

  4. Lucas Scaliza Says:

    Sempre acho que os filmes de Woody Allen – a maioria deles, pelo menos – podem passar por pastelões facilmente aos espectadores mais desavisados ou menos atentos. O que faz a diferença em Woody Allen são os detalhes. São pequenas cenas que amarram todo o resto da história e levam o filme a um nível de significado mais alto. Suas histórias (opinião minha) nem são tão originais (salvo algumas excessões), mas há uma maneira de conduzí-las que é brilhante, uma meneira de “falar” sobre os personagens que faz a diferença.

    • christianjafas Says:

      Lucas,

      as pessoas costumam colocar a comédia como um gênero menor. Cinema é cinema. Filme é filme. Fazer rir é tão difícil quanto fazer chorar. Os textos do Allen são simples e diretos, mas nem por isso podem ser classicados de forma perjorativa.

    • christianjafas Says:

      Pô,

      bacana o seu flickr. Eu não tenho. Não sei mexer com essa ferramenta.

      Gostei das fotos do cover do Michael Jackson. O cara é de São Paulo?

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