Meu Último Suspiro

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Para os apaixonados por cinema assistir a filmes pode não ser o suficiente. Ler sobre cinema, sobre os diretores se torna tão obrigatório quanto gabaritar os filmes em cartaz. Isso para os cinéfilos. Se você pretende um dia ser cineasta ou videasta (argh! Que termo horrível!) não deve se contentar só com as imagens, é preciso mais.

Uma vez me perguntaram: “Por que ler sobre cineastas e filmes?”, confesso que fiquei paralisado, não tinha resposta, nunca parei para pensar nisso. Leio por que é livro, se fosse música eu escutava! Nunca pensei nisso por que foi um caminho lógico: assistir filmes, assistir muitos filmes, assistir todos os filmes possíveis, ler roteiros, ler sobre filmes e por fim procurar livros sobre diretores.

Vários grandes nomes costumam dizer que para conhecer um cineasta basta ver seus filmes. Talvez por essa máxima todos fujam das biografias ou autobiografias. Mas no fim, sempre se rendem.

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Foi o que aconteceu com Luis Buñuel. O diretor de A Bela da Tarde, O discreto charme da burguesia e O Anjo Exterminador precisou do apoio de Jean-Claude Carrière – seu fiel colaborador – para escrever Meu Último Suspiro. Segundo Buñuel “Não sou um homem de letras. Depois de longas conversas, Jean-Claude Carrière, seguindo fielmente tudo o que lhe disse, ajudou-me a escrever este livro”.

O livro faz um passeio pelo mundo do cineasta. Começamos em Calanda, uma cidadezinha espanhola, onde a Idade Média se prolongou até o fim da Primeira Grande Guerra. Os relatos são parecidos com seus filmes, conseguimos visualizar por completo a antiga Espanha e seus costumes.

A vida de Buñuel é tão interessante quanto seus filmes. Será que podemos criar histórias, escrever enredos fantásticos tendo vivido uma vida medíocre? Luis Buñuel é o primeiro a confirmar a teoria de que é preciso viver e viver com intensidade.

Buñel e Denevue

Buñuel e Denevue

Da Idade Média de Calanda partimos para Madri e de lá para Paris. Tudo isso passando por guerras e revoluções! Diferente da maioria dos cineastas, Luis Buñuel veio de uma família rica e sem problemas financeiros. Buñuel não só conheceu como era amigo de Federico Garcia Lorca e Salvador Dali, participou do movimento surrealista, mas se recusou a ser enquadrado por ele nele. Buñuel só aceitava seguir suas próprias regras.

E para fazer Meu Último Suspiro ele só seguiu suas regras “O retrato que ofereço é de toda maneira meu, com minhas repetições, minhas lacunas, minhas verdades e minhas mentiras, em suma, minha memória.

Nas memórias sobra espaço para analisar cada filme. Um trabalho difícil e cruel. Rever os filmes é, sobretudo, se deparar com os erros. Mas isso não incomoda o cineasta, nem a morte, o único desejo seria “(…) gostaria de poder erguer-me entre os mortos, a cada dez anos, caminhar até a banca de jornais e comprar alguns. Não pediria mais nada. Com os jornais debaixo do braço, lívido, esbarrando nos muros, retornaria ao cemitério e leria os desastres do mundo, antes de tornar a dormir, satisfeito na proteção tranquilizadora da sepultura”.

Leia Meu Último Suspiro e veja os filmes de Luis Buñuel novamente. É um ótimo exercício, para cinéfilos e para quem quer algo mais.

Luis Buñel e Glauber Rocha

Luis Buñuel e Glauber Rocha

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2 Respostas to “Meu Último Suspiro”

  1. Maria Zyta Lima Says:

    Vale a pena rever as obras de Luiz Buñuel.

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