Katyn

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Polônia. 1939. O exército polonês enfrenta as forças alemãs no lado Ocidental e a traição russa no front Oriental. A invasão é eminente. Diante do poderio bélico soviético, não resta alternativa senão baixar armas. Os soldados são dispensados, mas milhares de oficiais poloneses são transferidos para um campo de prisioneiros pelo comando russo.

Floresta de Katyn, Smolensk, URSS, 1943. O exército alemão controla a região e descobre, em imensas valas, os corpos dos oficiais poloneses, cerca de 15 mil. O alto comando soviético acusa a Alemanha pelo massacre. O governo de Hitler convoca a Cruz Vermelha Internacional para exumar os cadáveres. Documentos e recortes de jornal datam de abril de 1940, ou seja, durante a ocupação soviética. Um jogo político mascara a verdade que só vem à tona décadas depois. Estima-se que um terço dos oficiais poloneses foram assassinados. O massacre de Katyn torna-se uma mancha nas relações internacionais e uma ferida aberta no povo polonês.

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Katyn de Andrzej Wajda reconta essa história e revela ao mundo informações ocultas pelo regime socialista. Na prisão, o Capitão Andrzej (Artur Zmijewski) passa os dias anotando, num pequeno caderno, tudo o que considera relevante. Andrzej quer que Anna, sua esposa, saiba exatamente o que está acontecendo. Anna (Maja Ostaszewska) não desiste de confrontar as autoridades nazistas para saber o paradeiro do marido.

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O roteiro preenche as lacunas que ficaram abertas utilizando um vasto material da investigação de 1951, realizada por uma junta internacional. Fotos da autopsia, manchete de jornais, registros oficiais, laudos e um impressionante registro audiovisual realizado pelos alemães, ainda em 1943, enriquecem o filme e colaboram para a sensação de angústia que Wajda planeja passar.

A trama avança por dois caminhos, ora estamos com os militares na prisão, ora com os parentes e sua busca pela verdade. A escolha da direção em seguir por linhas paralelas se mostra acertada quando a luz dos fatos rompe a estrutura e faz com que esses dois mundos se encontrem.

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O excesso de personagens que permeiam a segunda metade da projeção parece enfraquecer e confundir o roteiro, mas Wajda sabe conduzir com perfeição esse momento. Tão rápido quanto surgem, os elementos partem e deixam como herança marcas profundas no andamento da trama.

O pai de Andrzej Wajda foi assassinado no massacre de Katyn quando ele tinha 13 anos e o diretor parece não ter poupado esforços para fazer deste um filme definitivo. Fotografia, figurino e direção de arte se combinam para criar um retrato poderoso da Polônia durante a II Guerra Mundial. No fim, a verdade nua e crua recebe um tratamento quase documental. Wajda não faz concessões e joga na tela o sangue coagulado, congelado por décadas, que agora jorra sujando mãos e lavando memórias.

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Exumação dos cadáveres em 1943

Katyn (Katyn)

Polônia, 2007 118 minutos

Direção: Andrzej Wajda

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