Um dia perfeito

Traição. Ciúme. Esperança. Paixão. Medo. Angústia. Esses elementos se misturam de forma fria, dura, impassível e atingem a vida de personagens sensíveis e bem construídos. O diretor Ferzan Özpetek joga com as emoções de forma bruta e direta. Quando menos esperamos somos arremessados numa tempestade de violência que se dissipa de forma rápida e banal. Mas a violência aqui não é estilizada ou utilizada gratuitamente, ela só não é esperada.

Um dia perfeito nos faz mergulhar num mundo simples, com pessoas normais, tentando encontrar a tão sonhada felicidade. O roteiro escrito por Sandro Petraglia e Ferzan Özpetek é uma adaptação do romance homônimo de Melania Mazzucco. A história intrincada e repleta de elementos se move sempre em frente, nunca hesita e nos oferece um olhar breve, porém preciso, da vida de Emma (Isabella Ferrari).

Para construir esse olhar, a fotografia de Fabio Zamarion contrasta as cores vibrantes de Emma com o ambiente frio e azulado da cidade. Esse efeito deixa a protagonista isolada, solitária, mas também a destaca do meio. Emma está à margem da sociedade.

Özpetek decidiu usar tons suaves e levou a direção de atores para o mínimo, para o necessário, sem exageros. Quando as ações de Antonio (Valerio Mastandrea) contradizem suas palavras, ficamos tão pasmos quanto Emma. O jogo entre texto e imagem está presente desde o início e esse direcionamento impede uma projeção do que irá acontecer. Somos apenas expectadores acompanhando a trama, não recebemos informações privilegiadas, nada nos prepara para o próximo passo. No fim, Özpetek muda esse posicionamento, transforma o público em testemunha, mas não em cúmplice, e quando a verdade chega já é tarde demais.

Quando a tela escurece, temos a dimensão do todo, montamos o quebra-cabeça, mas percebemos que algumas peças estão soltas no tabuleiro e não pertencem a esse jogo. O roteiro não tem amarras soltas, apenas nos oferece personagens expectadores, que passam pela história observando, assistindo, sem penetrar no núcleo principal. Tanto o roteiro quanto a direção deixam esses peões estrategicamente posicionados, mas afastados da ação direta. Essa dinâmica traz um frescor, um alívio e impede que a história caminhe para o lugar-comum dos contos policiais.

O diretor Ferzan Özpetek nasceu em Istambul, Turquia, e foi estudar História do Cinema e Direção Cinematográfica na Itália. Começa a carreira como assistente de direção e trabalha em treze filmes. Em 1997, realiza Banho Turco, seu primeiro longa-metragem, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Um dia perfeito é seu sétimo filme.

Um dia perfeito (Un giorno perfetto)

Itália, 2008. 105 minutos

Direção: Ferzan Özpetek

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