Pálpebras azuis

Pálpebras Azuis (Párpados Ázules, 2007) do diretor Ernesto Contreras foi eleito o Melhor Longa-metragem Iberoamericano de Ficção no Festival de Guadalajara 2007 e foi selecionado para a Semana da Crítica em Cannes 2007. O filme mostra Marina uma jovem que mora sozinha, trabalha numa confecção e não tem amigos. O seu dia se resume em ir para o trabalho e voltar para casa. Um dia, Marina é sorteada e ganha uma viagem de dez dias para uma praia paradisíaca, mas o pacote vem com direito a acompanhante.

Erneso Contreras utiliza essa situação curiosa para mostrar que a solidão está mais presente no nosso dia-a-dia do que pensamos. O que vemos a seguir é uma seqüência de piadas e gags que força aquele riso abafado. Nós rimos e nos divertimos com os apuros de Marina, mas no fundo sabemos o que ela está sentindo. Quem nunca ficou pendurado no telefone, sábado à noite, tentando achar uma alma para ir naquela festa de última hora? Quem nunca debulhou as páginas da agenda telefônica e viu que não tem tantos amigos assim?

Marina percebe o desespero quando encontra um conhecido do tempo de escola. Victor fala dos amigos em comum, das aulas, dos professores, mas Marina não se lembra de ninguém, não reconhece ninguém, para piorar a situação, ela também não se lembra de Victor. Marina está completamente isolada do mundo e não sabe o que fazer para sair dessa bolha que ela mesma criou, é preciso coragem e inovar. Marina decide convidar Victor para a viagem na praia. Marina vive uma solidão solidária.

Solidão sf. Estado de quem se acha ou vive só.

Solidariedade sf. 1. Laço ou vínculo recíproco de pessoas ou coisas independentes. 2. Apoio a causa, princípio, etc., de outrem. 3. Sentido moral que vincula o indivíduo à vida, aos interesses dum grupo social, duma nação, ou da humanidade.

As duas palavras aparecem no Dicionário Aurélio assim, uma depois da outra. A personagem Marina parece viver nesse antagonismo, ela ama a vida, mas está sempre só. Ela gosta da companhia de Victor, mas não quer conversar, impõe o silêncio.

Erneso Contreras acerta o tempo das piadas e usa a montagem paralela para enfatizar a solidão dos dois personagens com muita habilidade. A atriz Cecília Suárez (do grande sucesso mexicano “Sexo, pudor e Lágrimas”, 1999) tem uma atuação contida, quase um clow, e consegue passar a tristeza de Marina sem afetação.

Pálpebras azuis é uma pequena fábula sobre solidão, um bom retrato dos nossos tempos. Diverte e faz pensar.

Pálpebras azuis (Párpados Ázules)

México, 2007. 98 minutos

Direção: Ernesto Contreras

Elenco: Cecília Suárez, Enrique Arreola, Ana Ofélia Murguía

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