Um táxi para a escuridão

Em 2006, o diretor Alex Gibney perdeu o Oscar de Melhor Documentário para Marcha dos Pingüins (2005), na ocasião concorria com Eron: Os mais espertos da sala (2005) que investigava a falência da sétima maior empresa dos Estados Unidos. O caso foi um grande escândalo no mundo corporativo: os executivos simplesmente fugiram com bilhões de dólares deixando funcionários e acionistas sem um tostão.

Durante a festa de premiação, em meio à ressaca pela perda da estatueta dourada, um grupo de advogados sugeriu para Gibney se meter em outra polêmica questão e investigar as denúncias envolvendo tortura e abusos dos militares norte-americanos no Afeganistão.

Em 2005, o jornalista Tim Golden, do The New York Times, publicou uma série de reportagens amparado em documentos oficiais mostrando que a prática da tortura era comum nas prisões de Abu Ghraib, em Bagdá, e na Base Aérea de Bagram, no Afeganistão.

As investigações do jornal começaram em 2002, após a morte do jovem taxista Dillawar, de apenas 22 anos. Preso e acusado sem provas de pertencer ao regime talibã, o afegão foi espancado e mantido em pé, algemado pelos pulsos. Na certidão de óbito, emitida pelo exército norte-americano, constava morte por homicídio. O documento estava escrito em inglês, e foi entregue à família da vítima que não fala a língua do Tio Sam. Em 2004, fotos que mostravam presos sendo humilhados por soldados na base de Abu Ghraib correram o mundo, mas a cúpula do exército considerou o caso como ‘obra de maçãs podres’.

Realizar Um táxi para a escuridão (Taxi to the dark side, 2007) foi a forma encontrada pelo diretor Alex Gibney para fazer um povo acostumado ao audiovisual questionar as políticas de seu governo. O documentário contou com a colaboração dos correspondentes de guerra dos principais veículos da imprensa norte-americana e pelos jornalistas do NYT que divulgaram a morte de Dillawar dois anos antes.

Alex Gibney e a montadora Sloane Klevin sabiam que estavam mexendo num barril de pólvora. Quem ousava questionar os métodos do ‘imperador‘  George Bush sofria sérias represálias por parte da máquina de poder da Casa Branca. Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 elevaram o grau de tolerância da população com o que era permitido fazer para defender a América.

Um táxi para a escuridão entrevista soldados que estavam nas bases militares de Abu Ghraib e Bagram, jornalistas, assessores militares e chega ao alto escalão de George Bush. O documentário parte do caso isolado do jovem taxista Dillawar e segue o rastro até a base norte-americana de Guantánamo, em Cuba, onde a CIA e o exército desenvolveram e criaram métodos de tortura e testaram nos detentos.

A produção do filme conseguiu pilhas de documentos oficiais entregues por fonte anônima que relatam passo a passo a aplicação da chamada engenharia da tortura: eletrochoque, LSD, mescalina, pentatol de sódio (soro da verdade) e uma série de métodos para induzir a privação sensorial.

A capitã Carolyn Wood, oficial encarregada dos interrogatórios em Abu Ghraib e Bagram, nunca foi processada e é mantida intocável pelo exército norte-americano.

Imperador Bush visitando as tropas na colônia rebelde

Um táxi para a escuridão (Taxi to the dark side)

Estados Unidos, 2007. 105 minutos

Direção: Alex Gibney

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