Sombras elétricas

É impossível não associar Sombras elétricas (Meng ving tong nian, 2004) do diretor Xiao Jiang ao “Cinema Paradiso” (1989) de Giuseppe Tornatore. E isso já é o suficiente para arrancar aplausos do público no fim da projeção.

Cinéfilos costumam gostar de filmes que falam sobre cinema, é a catarse máxima. A lista inclui sucessos como “Oito e meio” (1963) de Federico Fellini, “A noite americana” (1973) de François Truffaut, “Dirigindo no escuro” (2002) de Woody Allen, e esquecidos como “Vivendo no abandono” (1995) de Tom DiCillo e o ótimo documentário “Cinemania” que foi exibido no Festival do Rio 2002.

No Brasil, encontramos os recentes “Celeste & Estrela” (2005) de Betse de Paula e “Sal de Prata” (2005) de Carlos Gerbase, e o consagrado “Cabra Marcado para Morrer” (1984) de Eduardo Coutinho.

A trama de Sombras elétricas começa com uma explícita declaração de amor ao cinema. O entregador de água Mao Dabing separa o salário do mês para comida e aluguel, o resto ele gasta com filmes. Cada sessão custa três dias de trabalho, mas para Mao esse sacrifício vale cada centavo.

Certo dia, Mao pedala para casa pensando na próxima estréia quando derruba uma pilha de tijolos. Ao se levantar é atacado por uma jovem que ele não conhece. Dabing acorda no hospital, com a bicicleta quebrada e sem emprego. Na delegacia confronta a moça que o atingiu. Ela não fala, mas lhe escreve para ir alimentar os seus peixes, e lhe entrega as chaves de casa. Conformado com a situação Dabing resolve ajudar. Ao chegar ao apartamento descobre que a moça é tão apaixonada por filmes quanto ele.

Impressionado com a descoberta, Dabing começa a ler o diário da garota e mergulha num verdadeiro roteiro que conta a história de seus pais. A fotografia explora a terra vermelha do interior da China e se apóia nas belas paisagens para enquadrar a narrativa da misteriosa garota.

O diretor Xiao Jiang utiliza o conto para tocar em assuntos polêmicos como o preconceito com a mãe solteira, o machismo e a intolerância ao que é diferente. Os trabalhadores da cidade dizem amar o regime comunista, todos são iguais, mas a inveja e a cobiça são sentimentos enraizados em qualquer sociedade.

Jiang começou como roteirista criando programas de televisão e dirigiu três telefilmes antes de se aventurar na direção de um longa-metragem. O roteiro desenha uma história bem contada que perde um pouco o ritmo lá pelos 50 minutos de projeção, mas se recupera a tempo de ser agraciado com as já citadas palmas.

Sombras elétricas (Meng ving tong nian)

China, 2004. 95 minutos

Direção: Xiao Jiang

Elenco: Jiang Yihong, Xia Yu, Qi Zhongyang, Li Haibin

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

2 Respostas to “Sombras elétricas”

  1. Taís B. Says:

    Nossa, parece ser ótimo! Entrou para minha lista interminável de filmes que quero assistir!

    • christianjafas Says:

      Taís,

      esse eu assisti no Festival do Rio 2007. Não me lembro se entrou em cartaz ou saiu em DVD, mas vale a pena procurar.

      Acho que é possível encontrar na internet. Hehehe.

      Beijos,

      Christian

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: