Intruso

O mérito do diretor Paulo Fontenelle foi convencer um grande elenco a embarcar na viagem de Intruso (The Guest, 2009), seu primeiro longa-metragem. Atores experientes como Lu Grimaldi e Genésio de Barros, ou globais como Eriberto Leão, Danton Mello e Juliana Knust acreditaram no texto e aceitaram o desafio de serem dirigidos por um estreante.

Mas será que podemos chamar Paulo Fontenelle de estreante? Fontenelle dirigiu e roteirizou os documentários “Evandro Teixeira – Instantâneos da Realidade” (2004) e “Sobreviventes – Filhos da Guerra de Canudos” (2007). Além de ser sócio da produtora Canal Imaginário, Paulo trabalhou com nomes consagrados do cinema nacional como Luís Carlos Barreto e Nelson Pereira dos Santos.

A história de Intruso é cercada de mistério. Seria muita covardia esmiuçar a trama e revelar pontos que o diretor tentou esconder até o fim. Mas é possível dizer que este é um filme diferente, quase uma ficção-científica, quase. Os diálogos mereciam um cuidado especial, o texto segura a tensão, mas em alguns momentos a repetição do assunto e até mesmo a falta de assunto chega a incomodar. Um elenco tão bom merecia diálogos mais lapidados.

Eriberto Leão não costuma fazer cinema, participou de apenas três filmes em treze anos de carreira e todos em 2008. Os trabalhos na TV e no teatro são mais frequentes: foram nove telenovelas, seis minisséries e seis peças. Eriberto não costuma fazer cinema, mas deveria. Seu personagem é obscuro e de poucas falas, porém isso não o impede de dominar a cena e concentrar as atenções mesmo diante de um time tão bom de atores. Danton Mello é outro que merece destaque, faz um papel secundário com segurança e ajuda a dar coesão a um filme que depende do roteiro e de seus atores.

O ponto negativo do trabalho de Paulo Fontenelle, que disse ter desembolsado apenas dez mil reais para fazer o filme, é a edição de som ou a captação do áudio. Na verdade, esses dois fatores estão interligados. Uma péssima captação na filmagem só é ajustada com muito trabalho na ilha de edição e isso significa custo, ou seja, dinheiro.

Em alguns momentos o som ambiente está tão alto que incomoda, quebra a magia e nos joga para fora do filme. Numa cena onde os atores estariam teoricamente tramando, conspirando e assim falando num tom de voz mais baixo do que o normal, nós ouvimos tudo no mesmo volume da cena anterior e também da próxima. Não me pareceu ser um exercício ou até mesmo um estilo de montagem.

Intruso apresenta esses e outros pequenos contratempos, mas apresenta também uma história nova, uma tentativa de trilhar um caminho diferente para as produções nacionais de ficção, uma ousadia. Paulo Fontenelle explicou que não houve tempo para fechar a edição de áudio e que a cópia exibida no Festival do Rio 2009 realmente apresentava problemas de finalização. Uma pena já que uma janela de exibição tão interessante como a do festival carioca foi desperdiçada.

Intruso (The Guest)

Brasil, 2009. 80 minutos

Direção: Paulo Fontenelle

Com: Eriberto Leão, Danton Mello, Lu Grimaldi e Juliana Knust

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