Archive for the ‘Livros sobre roteiro’ Category

Prática do Roteiro Cinematográfico

24/07/2009

praticaJean-Claude Carrière e Pascal Bonitzer nos trazem o eficiente Prática do Roteiro Cinematográfico e posso afirmar que é simplesmente indispensável para diretores e roteiristas. Não se trata de mais um livro sobre “Como escrever para o cinema”, mas de um compromisso sério com o ensino do roteiro.

Carrière chega a sugerir vários exercícios para serem aproveitados em sala de aula e defende que o ofício do cinema pode ser aprendido na escola. Mas deixa um aviso, falta o estudo do roteiro. Para Carrière poucas universidades possuem cursos para roteiristas, e o debate entre os alunos deveria acontecer mesmo sem a presença de professores ou orientadores.

A preocupação em criar novos e bons roteiristas e também de deixar textos sobre roteiro aparece em todo o livro. Outro assunto que chama a atenção é a diferença entre o romance e o roteiro. Tanto Carrière quanto Bonitzer se debruçam sobre o assunto e afirmam que o roteirista está mais perto de ser um diretor do que de ser um romancista.

Cena de Os amantes da Pont-Neuf

Cena de Os amantes da Pont-Neuf

Com menos de 150 páginas, Prática do Roteiro Cinematográfico é facilmente digerido do início ao fim. Mas não se trata de uma leitura tão simples quanto os livros de Syd Field. A parte conduzida por Pascal Bonitzer (roteirista do filme Os amantes da Pont-Neuf) merece uma atenção especial e várias relidas. Nada que dificulte a compreensão do texto, apenas exige do leitor que acompanhe a linha de pensamento do roteirista. Bonitzer usa exemplos extraídos de Buñuel, Antonioni, Hitchcook e até de … Rambo!

Jean-Claude Carrière

Jean-Claude Carrière

O último capítulo fala exatamente da importância de um bom final. Nesse momento as idéias de Pascal Bonitzer se aproximam do pensamento de Syd Field. Os dois mundos não estão tão distantes assim. Os dois concordam que é preciso saber o fim antes de rabiscar qualquer palavra no papel.

Se você realmente quer escrever um roteiro não fique só com esse livro, leia A Linguagem Secreta do Cinema escrito por Jean-Claude Carrière.

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Da idéia original ao roteiro final

13/07/2009

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A maioria dos grandes cineastas são competentes e profissionais, outros atingem a perfeição pela repetição, outros ainda se dedicam a direção de atores e outros ao processo técnico e a decupagem.

Poucos são considerados geniais. Entre esses encontramos um pequeno grupo de inclassificáveis. E nesse grupo inserimos Stanley Kubrick. O diretor de Spartacus, Laranja Mecânica e O Iluminado poucas vezes se revelou tanto como no livro de Frederic Raphael, Kubrick: De Olhos Bem Abertos.

Colaborador no roteiro de Eyes Wide Shut, o último filme de Kubrick, Frederic conseguiu quebrar a barreira de isolamento que separava o diretor do mundo e fez um desenho preciso e sem veneração do homem que em 36 anos de cinema rodou apenas seis filmes.

Considerado um ermitão rabugento e um diretor perfeccionista, Stanley Kubrick deixa escapar histórias, comentários sobre figuras de Hollywood e o sonho de rodar A. I., Inteligência Artificial – posteriormente filmado por Steven Spielberg.

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Kubrick no set de O Iluminado

O livro é escrito como um roteiro cinematográfico e mostra desde as páginas iniciais até a finalização de De Olhos Bem Fechados. Frederic faz do livro uma espécie de diário e sem pudor revela o nervosismo do primeiro encontro com o diretor e a angustiada espera pelas ligações que confirmariam ou não se as páginas escritas estavam de acordo com que Kubrick queria para o filme. Frederic que já tinha no currículo um Oscar de Melhor Roteiro sabia da importância de escrever para alguém como Kubrick.

Além de contar um pouco dos últimos anos de vida do mais recluso diretor de Hollywood, Stanley Kubrick morreu pouco depois da finalização de Eyes Wide Shut, o autor mostra parte do processo criativo que desemboca na construção do roteiro final e a luta entre roteirista e diretor.

A impressão que fica é a de uma guerra de trincheiras, onde cada metro deve ser mantido a todo custo, ou uma partida de xadrez como definiu Frederic Raphael “Era como se eu tivesse recebido o convite de um Kasparov do cinema e agora havia um tabuleiro entre nós.”

É uma oportunidade única de conhecer os segredos que rondam a relação entre roteirista e diretor. Ainda mais um diretor como Stanley Kubrick.

Kubrick: De Olhos Bem Abertos

Frederic Raphael

Geração Editorial