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Marvel Studios

10/05/2011

Quando a Marvel Comics anunciou que iria produzir os próprios filmes muitos fãs espalhados pelo mundo comemoraram a coragem dos executivos que antes já tinham conseguido livrar a empresa da falência. Apesar do grande sucesso das adaptações de X-Men, Homem-Aranha e Hulk, a interferência dos produtores de Hollywood sempre foi vista como negativa entre os chefões da Marvel – sentimento compartilhado pelos fãs e críticos de cinema.

Personagens como Justiceiro, Demolidor, Elektra e Motoqueiro Fantasma resultaram em filmes decepcionantes quando analisamos a matéria-prima disponível para a construção do roteiro cinematográfico. Mesmo os filmes que tiveram uma boa bilheteria, como é o caso do Quarteto Fantástico, não conseguiram agradar aos exigentes e fanáticos leitores de histórias em quadrinhos.

A Marvel Studios foi criada com a intenção de controlar todo o processo criativo e deixar apenas a distribuição a cargo dos grandes estúdios. Dessa forma erros e acertos seriam de responsabilidade interna dos executivos da Marvel que pela primeira vez iriam experimentar uma total liberdade artística desde a escolha do elenco até a contratação do diretor.

Com o caminho livre, Avi Arad, Kevin Feige e Joe Quesada atacaram primeiro personagens que não tinham os direitos de adaptação presos a algum estúdio, assim Homem de Ferro (2008), dirigido por Jon Favreau, e O Incrível Hulk (2008), dirigido por Louis Leterrier, foram aclamados por crítica e público mostrando que a Marvel tinha realmente feito a escolha certa ao “se separar” de Hollywood.

As receitas de bilheteria excederam as expectativas e Homem de Ferro, orçado em U$ 140 milhões, faturou mais de U$ 580 milhões em todo o mundo. O Incrível Hulk não teve tanto fôlego nos cinemas e com um orçamento de U$ 135 milhões arrecadou “apenas” U$ 265 milhões, mas vendeu quase U$ 60 milhões em DVD e Blu-Ray só no mercado norte-americano.

A ideia sempre foi levar para a telona um grande filme dos Vingadores, um projeto ambicioso que só poderia ser realizado se os principais heróis pertencessem a um mesmo estúdio. Com o controle dos personagens, a Marvel Studios lançou a base do ousado empreendimento fazendo primeiro os filmes solos dos heróis.

A ótima recepção de Homem de Ferro 2 (2010), novamente a cargo de Jon Favreau, mostrou que o público estava acompanhando a empreitada e que continuaria fiel. O projeto segue firme com o Thor (2011), dirigido por Kenneth Branagh, e o inédito Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), de Joe Johnston, que tem estreia marcada para 29 de julho no Brasil.

Thor foi orçado em U$ 150 milhões e em 11 dias de exibição já arrecadou mais de U$ 242 milhões, ou seja, o suficiente para encher os cofres da Marvel, estabelecer um novo padrão para os filmes de super-herói e preparar o caminho para a tão aguardada primeira aventura dos Vingadores – que tem previsão de lançamento para 4 de maio de 2012.

Resta saber se a equipe criativa terá o mesmo sucesso com um personagem polêmico como o Capitão América. Apesar da presidência de Barak Obama, as cores da bandeira norte-americana não andam muito em alta e após o cruel assassinato de Osama Bin Laden a mania estadunidense de ser “a polícia do mundo” e o “guardião da moral e bons costumes” não tem grande aceitação fora da terra do Tio Sam. Um novo desafio para a Marvel encarar.

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Olhos Azuis

25/05/2010

Preconceito sm. 1. Ideia preconcebida. 2. Suspeita, intolerância, aversão a outras raças, credos, religiões, etc.

A definição dada pelo Dicionário Aurélio parece simplista ao primeiro olhar, mas as poucas palavras utilizadas são precisas, diretas e garantem um significado inequívoco para o termo. Olhos Azuis, oitavo longa-metragem de José Joffily, também possui essa rara qualidade e consegue transpor para a película, com exatidão, os sentimentos de quem um dia aprendeu o sentido do vocábulo sem ter que procurar no dicionário.

O ponto de partida para a análise que Joffily propõe parece ter saído de um filme de ação norte-americano, mas tiros e explosões são desnecessários aqui. Marshall (David Rasche), chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto JFK, em Nova Iorque, celebra o último dia de trabalho, antes da aposentadoria forçada, incomodando um grupo de latino-americanos que ainda sonham com a terra prometida pelo Tio Sam. O incômodo que os latinos sofrem na sala de espera do aeroporto transcende a tela e recaí sobre os expectadores que, impassíveis como os personagens, compartilham das humilhações e agressões.

Imagem síntese do filme: o brasileiro entre a liberdade e as garras da águia

Para atingir esse estágio de interação com a platéia, José Joffily utiliza metáforas audiovisuais, um elenco forte e o recurso da montagem paralela. Vemos a trama ser revelada aos poucos, lentamente, passo a passo, enquanto nos aprofundamos na construção dos personagens. A montagem paralela nos leva a antever os acontecimentos e a julgar antes da hora, do mesmo modo que os oficiais da imigração fazem quando precisam decidir quem entra nos Estates e quem pega o avião de volta para seu país de origem.

A escolha por esse estilo de edição se mostra mais do que acertada, já que também permite aos atores coadjuvantes brilharem nos seus momentos em cena. Cada microuniverso que a narrativa constrói possui tensão e conflito na mesma escala da trama principal e esses elementos somados contribuem para a sensação de incômodo que atravessa a projeção do início ao fim.

O gringo (David Rasche) perdido e à espera de um anjo (Cristina Lago)

O roteiro é dividido em camadas que apresentam duas realidades distintas, mas que irão percorrer caminhos paralelos até a inevitável fusão. A relação entre Marshall e o brasileiro Nonato, interpretado magistralmente por Irandhir Santos, é o fio condutor da história. Quando Marshall deixa de ser “O Chefe” para ser “O Gringo” a perspectiva muda e a relação dele com a prostituta Bia (Cristina Lago) estabelece uma segunda realidade no filme. A alternância entre essas duas realidades ora imprime um ritmo de road movie, ora de suspense impedindo que o expectador se acomode e evitando que o desfecho seja facilmente revelado.

Olhos Azuis foi o grande vencedor do Festival de Paulínia 2009 conquistando o troféu Menina de Ouro nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, Melhor Atriz (Cristina Lago), Melhor Ator Coadjuvante (Irandhir Santos) e Melhor Som. O desafio agora é conseguir ultrapassar as barreiras impostas por outra forma de preconceito.

Brasil, paraíso dos gringos: cachaça e puta a preço de banana

O filme será lançado nesta sexta, 28 de maio, e dividirá as salas de cinema com os blockbusters do verão norte-americano. A invasão dos ‘olhos azuis’ em terras tupiniquins começou com Homem de Ferro 2, Robin Hood, Fúria de Titãs e na próxima semana teremos a estréia de Príncipe da Pérsia – adaptação do famoso joguinho da década de 80. Não seria o caso de utilizarmos o mesmo discurso de qualquer fiscal da alfândega norte-americana: “Vocês entram aqui, pegam nossos empregos, ganham dinheiro, mandam para seus países e nós, como ficamos?”

Sem apelar para o nacionalismo exacerbado podemos dizer que nós temos escolhas e uma delas é ver o ótimo trabalho de José Joffily na tela grande. Não deixe para ver em DVD. A elaborada fotografia de Nonato Estrela e a inquietante trilha sonora de Jaques Morelenbaum esperam por você.

Olhos Azuis (Blue eyes)

Brasil, 2009. 111 minutos

Direção: José Joffily

Elenco: David Rasche, Irandhir Santos e Cristina Lago